História

Atualizado: 1 de jun.
Inúmeras áreas com pinturas rupestres atestam a presença humana na Chapada Diamantina desde tempos pré-históricos. Sítios arqueológicos foram identificados em Morro do Chapéu, Iraquara, Palmeiras, Piatã e Lençóis. O Complexo Arqueológico Serra das Paridas, em Lençóis, abrange quatro sítios, dos quais um está aberto à visitação. Nesse sítio, foram encontradas fogueiras datadas de 8100 anos.
Antes da colonização portuguesa, a Chapada Diamantina era habitada por índios cariris,
denominação dada a diversos povos que habitavam o sertão nordestino e foram dizimados ao longo do processo de ocupação colonial. Alguns grupos remanescentes lutam pelo reconhecimento de sua identidade e território, como a comunidade Paiaiá, em Utinga; tapuias em Seabra; e a comunidade Panelada, em Rio de Contas. Não há registro de presença indígena atualmente no Município de Lençóis.
Nos séculos XVIII e XIX, grande foi a participação dos escravos na mineração. Hoje, há diversas comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Palmares na Chapada Diamantina. Em Lençóis, há três comunidades certificadas: Remanso, Iuna e Lagoa. A comunidade de Iuna foi uma das inspirações do livro Torto Arado, de Itamar Vieira Junior.
A colonização portuguesa parece ter se iniciado na segunda metade do século XVII, quando foram distribuídas as terras ao longo dos rios Paraguaçu e de Contas. No início do século XVIII, houve intensa exploração aurífera na região dos Municípios de Jacobina e Rio de Contas.
Porém, a região permaneceu com povoação dispersa até meados do século XIX.Spix e Martius, naturalistas alemães, passaram pelo sul da Chapada Diamantina em 1818,
margeando a Serra do Sincorá, e testemunharam esse baixo povoamento. Eles também tiveram notícia de que diamantes haviam sido encontrados na encosta leste da Chapada Diamantina. O engenheiro Teodoro Sampaio, que atravessou a Bahia em 1879/1880, ouviu informações semelhantes, de que a primeira descoberta de diamantes na região ocorreu em 1817/18. Mas essas descobertas foram mantidas em segredo, pois a exploração de diamantes era monopólio da Coroa Portuguesa desde o século XVIII, o qual foi extinto em 1832.
Diversas descobertas diamantíferas ocorreram a partir de 1838, em Gentio do Ouro, Morro do Chapéu e Chapada Velha (atual Município de Brotas de Macaúbas). Mas somente em 1844 começou a exploração de diamantes na Serra do Sincorá. As jazidas aí encontradas eram mais ricas e com pedras de melhor qualidade que as anteriores, o que atraiu grandes contingentes populacionais provenientes do norte e do sul da Chapada, do Recôncavo Baiano e de Minas Gerais.
A garimpagem era realizada manualmente, nos depósitos de cascalho a céu aberto ou nas grunas – cavidades e fendas profundas nas rochas. O processo era totalmente físico, com emprego da força humana, da água e de instrumentos rudimentares, para retirada da vegetação e desmonte e carreamento do solo. A lavagem do cascalho fino era feita nas bateias ou peneiras, onde o diamante podia ser encontrado.
Os garimpeiros tinham duas moradas: uma na cidade, onde ficavam os fins de semana, e outra na serra, onde passavam os dias de trabalho. Muitos deles moravam em “tocas”, casas organizadas sob grandes rochas, fechadas com paredes de ferro, com porta e janela. No seu interior, colocavam o essencial para viver: cama de vara e utensílios de cozinha. Especificamente nos rios Lençóis e São José, os garimpos tiveram início em 1845. O povoado de Lençóis teve crescimento rápido. Em 1852, foi transformado em distrito da Freguesia de Santa Izabel do Paraguaçu (hoje Mucugê); em 1856, foi elevado à condição de Comercial Vila dos Lençóis da recém-criada freguesia do mesmo nome; em 1857, a Repartição dos Terrenos Diamantinos, que cuidava dos interesses do fisco, foi transferida de Santa Izabel para Lençóis; e em 1864, a vila foi elevada à categoria de cidade.
Lençóis tornou-se o centro comercial e o principal mercado de diamantes das Lavras Diamantinas, como passou a ser chamada a Serra do Sincorá. Para ela convergiam os produtos da lavoura do São Francisco, do rio de Contas, de Campestre (atual Município de Seabra), de Palmeiras e do vale do rio Utinga. A sociedade esbanjava riqueza e grande era o consumo de produtos importados da Europa. O comércio com o exterior era tão intenso que, no século XIX, funcionou um vice-consulado francês no centro da cidade. Mesmo os garimpeiros, que em geral viviam na pobreza, quando encontravam o “bamburrio” – achado fabuloso de diamantes que propiciava o enriquecimento súbito – gastavam tudo em poucos dias, em lojas, bares e cabarés.
Os grandes negociantes de diamantes e proprietários das terras acumularam grandes fortunas. Divididos conforme suas origens e vinculados aos partidos da Província, passaram a controlar a administração local. Os chefes políticos frequentemente entravam em lutas sangrentas, pela manutenção do poder e expansão de seus domínios, sendo os homens do povo transformados em jagunços. O ponto culminante dessas lutas ocorreu na década de 1920, quando o Coronel Horácio de Matos sustentou e venceu diversos combates. Sediado em Lençóis, tornou-se chefe político de vasta área da Chapada Diamantina. O desarmamento ocorreu somente na década de 1930, com a entrega das armas liderada pelo próprio Horário, atendendo à solicitação do governo getulista.Entretanto, a primeira fase de grande prosperidade não durou senão um quarto de século.
Entre as décadas de 1860/70, com a descoberta das minas da África do Sul, caiu o preço do diamante e o comércio local entrou em decadência. Os garimpos foram praticamente
abandonados. No século XIX, o café era o principal produto de exportação brasileiro e, na década de 1870, teve início seu cultivo na Chapada Diamantina, especialmente em Lençóis, mas em escala inexpressiva.
Na década de 1880, entrou no cenário econômico regional o carbonado, diamante negro
aplicado na perfuração de rochas, àquela época exclusivo das Lavras Diamantinas. A mineração voltou a ser atividade vantajosa, com sua exportação em larga escala para a Europa e para os Estados Unidos. A produção de carbonados começou a declinar por volta de 1900. A baixa produção e a alta demanda mantiveram os preços até a Primeira Guerra Mundial. Após essa fase, produtos industriais alternativos foram lançados, levando a região a um longo processo de decadência econômica durante a primeira metade do século XX. Há registros de garimpos ativos na década de 1930, ainda com um grande contingente de garimpeiros jovens. Mas o número de garimpeiros manuais foi diminuindo ao longo das últimas décadas e hoje é atividade praticamente inexistente. A mineração mecanizada ocorreu por meio de dragas na década de 1980, com grandes impactos ambientais para os leitos dos rios, e foi definitivamente proibida em 1996, pelo Ministério Público Federal.
A partir da década de 1970, a economia local começou a tomar novo rumo, voltado para o turismo. O tombamento do sítio histórico de Lençóis pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1973, foi um grande passo nesse sentido, pois constitui o reconhecimento público da importância arquitetônica, histórica e cultural de suas ruas, praças e edificações, construídas no século XIX, e garantiu a sua conservação. O sítio histórico de Mucugê foi tombado pelo IPHAN em 1980 e, em 1998, o distrito de Igatu, em Andaraí.
Em 1985, foi criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina, que assegurou a preservação da Serra do Sincorá, ao sul da BR 242, e fomentou a divulgação nacional e internacional das paisagens locais.
O turismo deu novo impulso à economia local. Em Lençóis, os primeiros empreendimentos hoteleiros surgiram no final da década de 1970. A Pousada de Lençóis (hoje Hotel de Lençóis e pertencente a particulares) foi construída pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (EMBRATUR, antiga Empresa Brasileira de Turismo) e inaugurada em 1979.
Atualmente, a cidade conta com excelente rede de hotéis e restaurantes.
Patrimônio histórico e cultural de Lençóis A exploração de diamantes na Serra do Sincorá legou a Lençóis um rico patrimônio arquitetônico e cultural, hoje reconhecido pelas ações de tombamento do IPHAN.
O centro histórico foi tombado como patrimônio nacional em 1973. Da baixada do vale do rio Lençóis, que a margeia e atravessa, a cidade vai subindo as ladeiras entremeada de praças, alamedas, ruas e becos, calçados com paralelepípedos e pedras irregulares. Na margem esquerda do rio, a balaustrada branca contorna toda a Av. Senhor do Passos. As duas margens são unidas pela ponte de pedras em arcos, construída em 1860, que já resistiu a inúmeras enchentes causadas por trombas d’água. Junto à ponte, a paisagem urbana é dominada pelo Mercado, grande edificação de pedra com portais em arco, hoje utilizado para atividades culturais e sociais.
Dos pontos mais altos da cidade avistam-se os telhados coloniais dos 570 imóveis situados no centro histórico. Os casarões em estilo colonial, de um ou dois pavimentos, foram construídos em adobe, pedra e paredes de enchimento. As fachadas são coloridas, de modo geral não têmrecuo e muitas possuem platibandas decoradas com flores, anjos, estatuetas e outros ornamentos. As portas e janelas pintadas em cores fortes, sempre em madeira, podem ser em arco ou retas. Abundam os muxarabis – treliças de origem árabe, que resfriam o ambiente interno ao mesmo tempo em que permitem apreciar o exterior sem ser observado.
A cidade possui duas igrejas católicas do século XIX: Senhor dos Passos e Nossa Senhora do Rosário. Da garimpagem manual de diamantes na Serra do Sincorá, restaram muitos remanescentes do trabalho dos garimpeiros. São visíveis os canais de água, cobertos ou não de pedra, hoje totalmente secos; barragens; “canoas” (canais de água em forma de “escadas”, com patamares longos e estreitos de pedra com uma depressão, onde se depositava o cascalho fino com potencial de conter diamantes); pequenas pontes; montões de cascalho resultado do desmonte do solo. Há também resquícios de casas isoladas e de vilas que outrora foram fervilhantes de atividade humana.
Em 2025, o IPHAN também promoveu o tombamento do Terreiro de Jarê Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, em Lençóis, como patrimônio cultural. O Jarê é uma prática religiosa de origem africana, com influência indígena, católica e kardecista, surgida no século XIX em Lençóis e Andaraí. Exclusivo da Chapada Diamantina, o Jarê inclui o culto aos orixás, caboclos (espíritos ameríndios) e santos, bem como atividades curandeiras. O Palácio de Ogum é o terreiro de Jarê mais antigo ainda em atividade, fundado em 1949. A Festa de Senhor dos Passos é a principal festa popular da região e ocorre desde o século XIX, entre 23 de janeiro e 2 de fevereiro. De cunho religioso e cultural, é presidida pela Sociedade União dos Mineiros e homenageia Senhor dos Passos – o padroeiro dos garimpeiros – cuja imagem foi trazida de Portugal e chegou a Lençóis em 1852, carregada nos ombros dos garimpeiros do Porto do Santo Antônio até a cidade. A festa foi tombada em 2018 como patrimônio cultural imaterial pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).
Está em análise o processo de seu tombamento como patrimônio nacional pelo IPHAN.
Começa com a lavagem da escadaria da Igreja pelas baianas, na tarde do dia 23 de janeiro. Diariamente, ocorrem as alvoradas com queima de fogos e missas noturnas. No dia 1º de fevereiro ocorre a Alvorada dos Garimpeiros, quando a população percorre as ruas da cidade portando bandeirinhas de papel seda, ao som da Phylarmônica Lyra Popular e das cantorias da Marujada e do Terno de Reis. A Phylarmônica toca o tradicional Hino aos Garimpeiros, escrito em 1924, em Mato Grosso, e trazido para Lençóis em 1926. A festa se encerra com a missa campal e a procissão de Senhor dos Passos. Nos fins de semana, à parte das atividades tradicionais, ocorrem shows noturnos de cantores populares.
A Lyra – “alma cantante de Lençóis” – é uma banda de música centenária, criada em 1898. Uma banda filarmônica é uma orquestra de sopros e percussão de origem comunitária. Em geral, reúne músicos amadores, embora muitos possam se profissionalizar. A Lyra tem uma escola de música dirigida por seu maestro, Washington Sueira. Os ensaios ocorrem regularmente às quintas-feiras, às 19h, em seu prédio próprio, aberto ao público. Ela se apresenta em todas as festas populares de Lençóis, com seus trajes de gala.
A Marujada é uma manifestação folclórica de origem portuguesa, que chegou a Lençóis no início do século XX. Os integrantes, vestidos de marinheiros, seguem o Mestre pelas ruas cantando e dançando e encenando um episódio náutico. Foto Mestre Siciliano
Também são muito tradicionais em Lençóis os reisados. Com vestes e chapéus multicoloridos, os ternos de reis participam de todas as festas populares, tocando e cantando, além das tradicionais visitas às casas no Dia de Reis (6 de janeiro).O São João é outra festa tradicional em Lençóis, quando o centro histórico é ricamente decorado com bandeirinhas e ornamentos coloridos. Há extensa programação de sanfoneiros,
quadrilhas e bandas populares na semana do 24 de junho.
Lençóis possui três museus. A Casa e Memorial Afrânio Peixoto registra a vida e a obra de Afrânio Peixoto, médico, escritor, professor, ensaísta, historiador e deputado federal lençoense. O Memorial foi instituído em 1970 e possui um auditório, onde são realizados eventos culturais e palestras. Endereço: Rua Armando Pereira, junto à Igreja do Rosário. Horário de funcionamento: seg a sexta, 8h às 17h; sáb 8h às 12h.
O Memorial do Garimpeiro conta a história do garimpo em Lençóis e o modo de vida dos
garimpeiros. Instalado na sede da Sociedade União dos Mineiros, reúne os diversos objetos relativos ao garimpo, como os instrumentos manuais utilizados para a garimpagem e as roupas dos garimpeiros. O Memorial recebeu, em 2025, uma réplica do “Carbonado do Sérgio”, o maior diamante negro já encontrado no mundo, com 3.167 quilates. Sérgio Borges de Carvalho foi o garimpeiro que o achou, em 1895, no garimpo Brejo da Lama, em Lençóis. O diamante foi dividido, para uso industrial, mas antes foram feitas duas réplicas, uma das quais foi para Paris.
A réplica do Memorial do Garimpeiro foi doada pelo Prof. Francois Farges, do Museu Nacional de História Natural em Paris. Endereço: Av. Sete de Setembro, 21. Horário de funcionamento: verificar no local.
O Museu Sincorá conta a história geológica da Serra do Sincorá e de sua influência sobre o desenvolvimento humano na região, por meio de painéis expositores, exemplares de rochas e objetos históricos. O Museu promove atividades didáticas e eventos culturais. Endereço: Av. Rui Barbosa, 47. Horário de funcionamento: terça a domingo, 9h às 12h e 16h às 20h.
A tradicional culinária lençoense reflete a riqueza dos produtos e hábitos do sertão nordestino, mas com diversas especificidades trazidas pela cultura garimpeira. Verduras e frutas são vendidas na feira local, que ocorre regularmente no domingo à tarde e na manhã de segunda na Av. Senhor dos Passos. Os produtos são oriundos de inúmeras regiões da Bahia.
O café da manhã é farto, com cuscuz com ovo, beiju com coco ou manteiga, banana da terra frita ou cozida e tubérculos cozidos (batata doce e inhame). Em tempos antigos, os
garimpeiros, antes de sair no alvorecer para o trabalho, comiam feijão com carne e farinha. Um prato típico dos garimpeiros é a farofa com carne frita e temperos verdes.
Uma refeição tradicional é nutritiva mas bastante leve. Inclui feijão, especialmente feijão de corda e feijão verde, arroz, farinha, carne de sol e cortadinhos de legumes (abóbora, chuchu, maxixe, quiabo etc.). Um preparado comum é o cortadinho de palma, cacto muito cultivado no Nordeste. O godó de banana é um refogado de banana da terra verde picada com carne de sol. Também não poderiam faltar as típicas comidas “baianas” de origem africana, como vatapá, acarajé e caruru, que, nas antigas festas, eram acompanhados de carnes assadas e arroz. Em tempos antigos, as mulheres tinham o “dia do forno”, destinado ao preparo das quitandas a serem servidas às visitas da tarde – inúmeras variedades de bolos, doces e biscoitos. Uma delas é o avoador, biscoito de polvilho em bolinhas, muito leve, comumente encontrado na feira semanal. O joaquim teodoro é outro biscoito também de polvilho e em bolinhas, mas com açúcar e leite de coco, que derrete na boca.
Hoje Lençóis tornou-se um polo gastronômico regional, em que, às iguarias regionais,
acrescenta-se a comida internacional. À noite, as ruas do centro histórico fervilham
alegremente com os restaurantes cheios.
É extensa a literatura técnica e ou de ficção, sobre Lençóis e a Chapada Diamantina. O principal escritor é Afrânio Peixoto (1876 – 1947), membro da Academia Brasileira de Letras e daAcademia Brasileira de Filologia. Afrânio escreveu mais de 30 obras, das quais a mais conhecida é “Bugrinha”, romance ambientado em Lençóis, na época dos garimpos, e transformado no filme “Diamante Bruto”, de Orlando Senna.
Orlando Senna é diretor de cinema, roteirista e escritor. Nasceu em Lençóis em 1940. Realizou mais de trinta filmes, dos quais destacam-se “Iracema, uma transa amazônica”
(1974), “Gitirana” (1976) e “Diamante Bruto” (1977). Herberto Sales (1917 – 1999) nasceu em Andaraí, município vizinho a Lençóis. Foi escritor e jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras. Escreveu 33 livros de romance, contos, memórias e obras infanto-juvenis. Seu principal romance é “Cascalho”, ambientado nos garimpos de Andaraí. Walfrido Moraes (1916 – 2004) nasceu em Lençóis e foi escritor, professor e jornalista. Escreveu para diversos jornais baianos e foi membro da Academia de Letras da Bahia. Sua principal obra, “Jagunços e Heróis” (1963), narra os tempos do coronelismo na Chapada
Diamantina. Urbano Duarte (1855 – 1902) nasceu em Lençóis e foi militar, jornalista, cronista, teatrólogo e humorista. Foi um dos maiores cronistas de humor na imprensa do Rio de Janeiro em sua época. Sua obra foi publicada em revistas e artigos. Foi fundador da cadeira nº 12 da Academia Brasileira de Letras. Nadir Ganem (1920 – 1996), advogado, professor da Universidade Estadual de Londrina e escritor, nasceu em Andaraí e viveu sua infância e parte da juventude em Lençóis. Publicou inúmeras crônicas e ensaios em jornais da Bahia e do Paraná. Sua principal obra é “Lençóis de Outras Eras” volumes I e II, publicados respectivamente em 1984 e 2001 (post mortem).
Nildeia Andrade nasceu em Lençóis, em 1932. É poetisa, professora da Universidade Federal da Bahia e artista plástica. Sua principal obra é “Lavramor”, coletânea de poesias publicada em 1982. Delmar Alves de Araújo nasceu em Lençóis e é escritor, cientista ambiental, pedagogo, antropólogo e diretor e roteirista de cinema. Dentre suas obras destacam-se o livro de ficção “As Bazu” (2023), que narra a vida de mulheres pretas descendentes nagôs de Lençóis; o filme "Jardim de Plástico" (2008), premiado no Projeto Nacional de Cinema Revelando os Brasis, promovido pelo MINC e pela PETROBRÁS; e a pesquisa sobre a gastronomia Lençoense, publicada no livro “Chapada Diamantina: culinária e história”, o qual recebeu o Internacional Gourmand World Cookbooks Awards em 2013, na categoria de melhor livro de culinária
regional do Brasil.